Eu iniciei meus treinos no sistema Mao Quan (猫拳) que significa "Punho Do Gato" em meados de 2011, tinha eu lá meus 12 anos de idade. E desde aquele tempo sempre fui muito instigado a conhecer um pouco mais sobre o estilo que eu treinava. Ouvia o que meus colegas diziam, as histórias contadas pelo meu primeiro mestre, o que meu pai tinha a dizer era muito importante para mim já que também havia treinando no sistema Mao Chuen.
Interessante destacar que desde aquele tempo eu nutria uma paixão pelo Bei Shaolin (北拳) devido a uso de chutes altos e poderosos. Até que um dia ouvi sobre o kati do macaco, lembro me até hoje do desejo incessante que tive em poder conhecer tal sistema. Infelizmente aqui não Brasil não tem um sistema completo de Macaco Shaolin, já que o detentor de tal sistema completo é o grão mestre Michael Matsuda, sexto dos grandes mestres detentores de um sistema completo de Hou Quan (猴子拳). O tempo foi passando e descobri os escritos do Grão Mestre Wong Kiew Kit que aprendeu de seu mestre Ho Fatt Nam.
Ho Fatt Nam mesmo especializado em punho de macaco não ensinou tudo a Kiew Kit, na realidade o mesmo bebeu dos ensinos do irmão Zheong que também era especialista em macaco. Quando iniciei meus treinos nas técnicas do punho do macaco me deparei com um novo desafio. Enquanto que em sistemas como Hung Gar, Ving Tsung, Tang Lang Quan visa-se ataques diretos, no do macaco isso não acontece. Michael Matsuda contando-nos em sua obra sobre o nascimento do sistema do macaco desenvolvido por Kou Sze diz algo muito interessante. Na prisão Kou Sze começou a prestar atenção nos macacos e discerniu o seguinte:
Além do aspecto de luta, foram as características dos macacos que intrigaram Kou Sze. De alguma forma, cada macaco foi capaz de interagir com seus atacantes aplicando sua própria personalidade única. O macaco alfa, que era obviamente o destaque com sua forte presença e habilidades ameaçadoras, foi capaz de se defender com sucesso, tanto quanto seu oposto, um macaco muito menor e mais fraco.
O pequeno macaco, que Kou Sze mais tarde se referiu como o "Macaco Perdido" era geralmente o mais jovem, mais brincalhão e um macaco que estava sempre em algum lugar que ele não pertencia. Sendo naturalmente curioso, ele ocasionalmente vagueia para fora do caminho e era deixado para trás do bando e se perderia; daí o título de Macaco Perdido. Assim que o macaquinho percebeu que estava sozinho e perdido de sua família, entraria em pânico. Assustado e com medo, o macaco perdido corria febrilmente pela selva à procura de um macaco que o levasse até sua família. [...]
No entanto, para surpresa Kou Sze, quando o macaco perdido foi atacado, suas características de confusão e rapidez serviu a seu favor, em vez de uma desvantagem. [...] Golpeando o atacante com seu alcance limitado, o macaco perdido se moveria rápido o suficiente para permanecer fora do alcance da criatura maior. Ele pularia nas costas de seus atacantes tão duro quanto podia, em seguida, saltar para longe para rapidamente a besta não poderia obter uma correção em sua posição. O macaco era tão esquivo, que o agressor não conseguia lidar com ele. De novo e de novo, o macaco atacaria e correria. rapidamente longe. Seria impossível para um macaco tão pequeno para ir um-a-um contra a besta, então sua alternativa era uma forma rápida de dentro e fora de ataque.
A genialidade do macaco é essa: sua evasão e distribuição de ataques confusos no oponente, fazendo-o com que fique fora de ritmo. O mais fraco pode sair vencedor num combate quando aplicado os elementos do punho do macaco.


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