O texto a seguir é uma resposta que apresentei a uma pergunta feita num grupo fechado de Kung Fu.
A questão do melhor estilo não implica em uma questão empírica. Pois se o praticante afirma ser o estilo dele o melhor que outros, logo o mesmo estilo terá que passar por diversos testes e provas, como por exemplo, “Kung Fu imortal versus Karatê-do, versus Muay Thai, Boran, versus Jiu-Jitsu” e assim sucessivamente. Pois não têm como dizer que um estilo de arte marcial é melhor que outro simplesmente por achismo, mas teria que provar de maneira empírica. Se acontecesse de um praticante perder o combate em alguma luta, todo a invencibilidade do estilo cairia por terra. Essa é a razão da minha primeira afirmação em dizer que a questão do melhor estilo não implica em uma questão empírica.
A resposta para essa pergunta é mais simples do que se pode imaginar, no entanto, temos vivenciado e presenciado respostas dentro do ambiente do kung fu.
É triste quando lemos alguns comentários sem seriedade ou relaxamento. Um integrante do grupo kung fu realizou essa pergunta, e foi uma dúvida muito sincera que merecia uma resposta sincera, no entanto, já que estamos num grupo de pensar filosoficamente, refletir de fato apresentamos respostas que nada edificariam. Aonde se encaixa o Wude nesse momento? E o princípio da humildade? Sendo que essa é a primeira regra de vida apresentada no sistema de ética marcial chinesa (Kung Fu) justamente por ser a humildade a chave que abre portas como respeito, honestidade, confiança e lealdade, sem contar as virtudes da mente. Na perspectiva do shifu Wong, Wude significa “arte de parar a guerra”, ou seja, é algo para trazer alguns conceitos e regras morais que balizam, que insere o praticante na sociedade com uma mentalidade totalmente diferente. Destaquei esse ponto pelas respostas que havia lido nos comentários, sendo algumas palavras desnecessárias, se alguém desconhece algo que aparentemente é simples de ser conhecido e assimilado aí é o momento certo de agir vivenciando os ensinos do Wude, senão nada adianta o conhecimento técnico – prático e teórico sem uma real humildade e paciência em responder.
Mas agora, respondendo a pergunta sobre “qual é o melhor estilo?”, utilizo de alguns princípios apresentados pelo grão mestre Leo Imamura e seu shifu Moy Yat.
Entendo que existem diferenças entre Sistema e Estilo. Vamos citar, por exemplo, Garra de Águia, Louva-a-deus, Choy Lay Fut, Wing Chun, Bei Shaolin e muitos outros. Isso é Sistema, ou seja, um oferecimento de dispositivos corporais, que é aquilo que podemos chamar (nomear) como TÉCNICA, assim conhecido por todo praticante. Agora entra a questão chave, pois Estilo é nada mais nada menos que a exposição ativa, prática, real e consistente do praticante de um determinado sistema. Ex: O Lúcio treina o sistema bei shaolin, mas o estilo de luta é do Lúcio. Fulano treina o sistema Garça Branca, mas o estilo de Luta é do fulano. Ou seja, em poucas palavras podemos definir estilo como aquilo que O PRATICANTE manifesta em potencial de exploração das técnicas transmitidas pelo sistema. Ou seja, acaba sendo um pensamento equivocada afirmar que Hung Gar é um estilo, que Shaolin Quan é outro. Isso não passa de um sistema, apresentando defesas, ataques, esquivas, chutes, projeções, saltos, torções, enquanto que o Boxing é um sistema, o Muay Boran, Thai são sistemas. Listagem e apresentação de técnicas estudadas. Mas dois praticantes de um mesmo sistema trarão sobre si estilos, o praticante A nunca lutará da mesma maneira que o praticante B, seja os dois kungfuístas, ou karatecas, haverá pequenas linhas quase imperceptíveis, mas totalmente presente e que fazem toda diferença. Precisamos nos desprender do conceito “estilo” como tipos de artes marciais, e aderir o termo “sistema”.
Muitos podem dizer: “nossa que pergunta burra”, outros responderem como que: “o melhor estilo é aquele que lhe traz paz”, “a o melhor estilo é aquele que seu professor é um chinês”, pessoal, estilo é o que VOCÊ apresenta em potencial fazendo uso das técnicas que o SISTEMA oferece como aprendizado.
Se temos perdido praticantes de Kung Fu é porque temos sidos rasos e negligentes a responder com humildade e toda seriedade perguntas como estas que citei no título. O grupo se chama Filosofia do Kung Fu, isso envolve análise, reflexão e busca de conhecimento, que partem de perguntas como: “qual é o melhor estilo”, “por que devo socar e chutar assim dentro de um sistema kung fu”, e assim por diante.
Por Master Lúcio Filho

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